Projeto Fragmentos de Utopias

O termo Utopia foi criado pelo inglês Thomas More para intitular um romance filosófico em 1516. Para compor a palavra, Thomas More juntou duas palavras gregas: "ου" (não) e "τοπος" (lugar). Na interpretação literal da palavra, utopia representa um lugar que não existe na realidade. Em outros termos, poderíamos dizer que quando falamos de utopias, estamos nos remetendo ao fato de que existem alternativas ao que está instituído. Sem a utopia, seria difícil acreditar que as coisas podem ser mudadas, que seria possível escolher outros caminhos.


A percepção de que é possível pensarmos outros mundos e outras realidades foi a mola propulsora da exposição Fragmentos de Utopias, o primeiro dos desdobramentos de um conjunto de atividades mais amplas idealizadas por Nick Elmoor e Patrícia El-moor, iniciadas em suas distintas experiências profissionais (na fotografia e na sociologia, respectivamente), e que nos últimos anos confluíram em direção a um projeto comum. 


Entre abril e junho de 2018, o Museu Correios em Brasília recebeu a exposição Fragmentos de Utopias, cujas fotos foram imaginadas como pontes entre lugares carregados de significados, uma vez que todas elas retratavam monumentos e cidades outrora declarados patrimônios da humanidade pela Unesco trazendo à tona discussões importantes sobre suas reais contribuições culturais, artísticas e históricas para nossa sociedade.


Córdoba, Sevilha e Granada – outrora chamadas de Qurṭuba, Ishbiliya e Gharnāṭah – foram testemunhas de um período conhecido como al-Andalus e que se estendeu por quase 8 séculos na Península Ibérica. Em seus tempos áureos, a civilização do al-Andalus tornou-se conhecida pelo intercâmbio cultural e religioso sem precedentes, que irradiou uma personalidade própria tanto para o Ocidente quanto para o Oriente. Há séculos esta região carrega em si fragmentos de uma era utópica, exemplo de um esplendor onde diversas religiões, povos e culturas teriam convivido de forma próspera e inspiradora, ainda que reconheçamos as contradições intrínsecas a este período. 


Utopia não muito diferente permeia a história de Brasília, cidade que em 1883 apareceu em sonho a Dom Bosco, fundador da Ordem dos Salesianos, que assim previu o nascimento de uma civilização rica e próspera entre os paralelos 15° e 20°, exatamente onde capital federal brasileira encontra-se situada. Dentre os pontos de contato que Brasília possui com uma parte significativa de grandes monumentos andaluzes declarados patrimônios da humanidade, estão os fragmentos utópicos que colocam a capital federal num patamar de perfeição, e que, mesmo diante de suas contradições, segue permeando o imaginário de quem nela vive e quem a ela visita.


São exatamente tais estilhaços de perfeição que nos fizeram aproximar a capital federal da região sul da Espanha, que em outras épocas também experimentou fama semelhante, ainda que nenhuma sociedade das que conhecemos até hoje tenha sido isenta de conflitos e incongruências.


Este movimento no tempo e no espaço contou ainda com um ilustre viajante – Max Simon – um repórter fotográfico que, tendo visitado Brasília pouco tempo após sua inauguração e, posteriormente, escolhendo a Andaluzia como seu lar, registrou imagens emocionantes de ambas as utopias, merecendo, assim, a lembrança de seu legado.


Esta mostra fotográfica simbolizou um primeiro passo de um projeto maior que visa aproximar épocas, mundos e utopias: objetos de deslumbre, mananciais de inspiração que, em algum momento, refletiram a esperança de um mundo melhor.

 

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